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Os principais desafios da inovação no Brasil

Emeritus |17 abril, 2020 | 6 - minutos para ler

Inovar é verbo imperativo para o empreendedorismo. Junto dessa necessidade, vem todo um universo próprio. A inovação, no Brasil, cada vez mais se solidifica dentro de empresas — de todos os tamanhos — como uma área própria, com orçamentos e líderes dedicados a criar a chamada cultura inovativa.

Disrupção, a próxima startup que vai mudar o mundo, transformação digital, oceano azul, Quarta Revolução, outra startup e mais disrupção... Para além dos jargões, onde estamos quando falamos em inovação no Brasil e o que falta para irmos além? Esse é o tema do nosso artigo de hoje no blog da Emeritus. É só seguir.

Qual é o cenário atual de inovação no Brasil?

Em 2019, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) encomendou uma pesquisa inédita sobre inovação no Brasil ao Instituto FSB Pesquisa. Apresentado em congresso, o levantamento entrevistou 100 CEOs e é o documento mais completo e recente para pensarmos a questão da inovação no Brasil. Foi a segunda edição desse levantamento — quatro anos depois do primeiro, em 2015.

Você pode ler a íntegra da pesquisa clicando aqui, mas o blog da Emeritus traz alguns dos insights e números que se destacaram em nossa análise.

O primeiro dado que salta aos olhos é que os 40 CEOs de grandes empresas entrevistados foram unânimes em afirmar que inovação é parte estratégica de suas respectivas companhias (93,3% entre pequenas e médias).

Os números podem até parecer óbvios — que líder diria que inovação não é importante no seu negócio nos dias de hoje —, mas é a pergunta seguinte que torna tudo mais interessante: por que inovar? Para 31% dos entrevistados, sobrevivência no longo prazo é o motivo número um, um crescimento de 14% em relação à ocorrência dessa mesma resposta na pesquisa de 2015. Outras respostas foram:

  • “crescer/conquistar mercado” (19%);
  • “vantagem competitiva” (17%);
  • “satisfação do cliente” (7%);
  • “integra a identidade/foco maior da empresa” (7%).

Respostas que poderiam parecer naturais como "redução de custos" e "aumento no lucro ou na produtividade" pontuaram na faixa dos 5% ou abaixo. A maior queda em relação à pesquisa de 2015 foi em “vantagem competitiva”, que caiu 14%. Esses líderes, em um curto espaço de tempo, parecem ter dado uma volta de 360º na visão sobre a inovação no Brasil: o que era uma questão de ser melhor se tornou uma questão de continuar existindo.

Vontade x realidade

Quando questionados sobre o grau de inovação atual em suas companhias, apenas 20% dos entrevistados disseram considerar “muito alto”, e outros 34% responderam que é “alto”.

Os números são um pouco maiores se considerarmos apenas os CEOs das empresas consideradas como grandes dentro do universo da pesquisa (27,% para “muito alto” e 40% para “alto”). A pesquisa revela que existe consciência entre esses líderes da distância que existe, hoje, entre a importância teórica dada à inovação e à prática disso no dia a dia.

Outros dados sobre o cenário atual da inovação no Brasil que se destacaram foram:

  • 60,3% das empresas têm um Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no Brasil;
  • 35% responderam que engenharia é a formação acadêmica mais importante para a inovação no Brasil;
  • Apenas 31% dos entrevistados responderam que, hoje, mais de 5% do orçamento é destinado à inovação (37,5% entre as grandes e 26,7% entre as pequenas e médias empresas).

Quais são os principais desafios para a inovação no Brasil?

inovação no brasil

Ainda na pesquisa da CNI, aos CEOs que responderam que o grau de inovação em suas empresas é baixo ou muito baixo, foi perguntado o motivo para esse cenário. As principais respostas foram:

  • “falta cultura de inovação no Brasil e/ou empresas” (25%);
  • “faltam financiamentos e/ou investimentos” (18,8%);
  • “falta confiança/cenário de crise econômica” (14,6%).

Vamos passar por algumas das questões por trás dessas respostas?

Cultura

Não dá para falar em inovação sem cair nessa palavra tão popular e repetida em meios corporativos. Cultura, aqui, se confunde com a ideia dos elementos necessários para a construção de um ambiente propício para que a inovação floresça. Características como liberdade para testar, tolerância ao erro, desengessamento de algumas estruturas hierárquicas e ferramentas adequadas são parte dessa história.

Em empresas jovens, nascidas dentro da lógica organizacional e estética das startups e do Vale do Silício, tudo isso pode ser bem natural — aquela história de ter inovação no DNA —, mas esse não é o caso de todos. Tampouco inovar é uma possibilidade (ou uma necessidade) restrita a firmas jovens ou ligadas a setores como tecnologia.

Os grandes bancos privados nacionais, por exemplo, contam todos hoje com estruturas dedicadas à inovação: laboratórios de experimentação, incubadoras de empresas e ideias e reconhecimento para quem consegue, de fato, inovar.

Coragem

Seguindo o tópico anterior, existe uma linha tênue entre se expor a riscos desnecessários e não ter a coragem que a inovação exige. Se, por um lado, nem toda inovação é ou precisa ser disruptiva, por outro, é preciso entender que as tais inovações disruptivas foram, um dia, ideias que pareciam absurdas.

Pense no modelo de negócio do Airbnb, por exemplo; na ideia de que as pessoas trocariam hostels e hotéis pelo apartamento de desconhecidos, e que pessoas mundo afora aceitariam alugar as suas casas para completos estranhos. Bem, não foi nada fácil para os três fundadores convencer investidores da viabilidade daquilo.

Dinheiro

Inovar não é coisa (só) de startup e enterprise, mas custa, sim, dinheiro. O cenário geral dos últimos anos no Brasil foi de retração econômica e contenção de gastos; os juros, que caíram bastante em 2019, também não ajudaram na maior parte do período. Por cima disso tudo, não é segredo que departamentos de pesquisa e inovação e marketing, por exemplo, costumam ser os primeiros a sofrerem cortes em situações adversas.

A forma primária de financiamento da inovação no Brasil são os recursos próprios — ou seja, o investimento saindo de dentro dos orçamentos regulares (55%). A captação em instituições públicas aparece em seguida — inclusive, essa é uma demanda do empresariado nacional. Um cenário de relativa recuperação econômica e crédito facilitado parece ser o cenário capaz de criar os subsídios para um aumento no investimento em inovação no Brasil.

E por falar em inovação no Brasil, um outro tópico que tem tudo a ver com isso é economia criativa. Então, se você gostou deste artigo, que tal conferir este outro sobre a relevância da economia criativa no cenário de inovação?

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