IPO: desafios da abertura de capital de uma organização

Emeritus |30 outubro, 2019 | 6 - minutos para ler

IPO: casal formado por homem e mulher analisando gráficos do mercado financeiro em escritórioNos últimos anos, tem sido impressionante acompanhar a expectativa do mercado quanto à abertura de capital de empresas, principalmente daquelas que trazem consigo novos modelos de negócio. Mesmo em países cuja economia vem se recuperando a passos mais curtos, como é o caso do Brasil, algumas startups têm discutido sobre as possibilidades de expandir e receber novos investimentos por meio da venda de ações em bolsa.

Fazer parte do mercado de capitais é sinônimo de enfrentar grandes desafios, desde o momento em que se elabora um planejamento para fazer o Initial Public Offering (IPO) até o pós-abertura. Afinal, quando se trata de recursos financeiros e novos sócios, é preciso que haja muita cautela e transparência.

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O que é IPO?

A Oferta Pública Inicial, mais conhecida no mercado pela sigla em inglês IPO, é o processo de abertura de capital, em que uma empresa oferece a investidores, pela primeira vez, as ações na Bolsa de Valores. Com isso, o negócio deixa de contar com um número menor de sócios e investidores e passa a ter mais acionistas em seu quadro.

Para que um IPO seja realizado, as organizações devem seguir um passo a passo. Normalmente, todo o processo pode levar de seis meses a mais de um ano — sem contar com o tempo necessário para cumprir com todas as outras etapas de planejamento, que precisam anteceder essa tomada de decisão tão importante para a empresa. Entenda melhor quais são essas etapas a seguir.

Preparação

É preciso ter clareza de que o IPO é um passo muito importante para uma empresa. São necessárias diversas mudanças estruturais e estatutárias, além de grandes investimentos tanto para arcar com as taxas e custos quanto para capacitar toda a equipe para esse novo momento do negócio.

Escolha da instituição financeira

Após a preparação da empresa, é preciso fazer a escolha da instituição financeira que atuará como intermediária da abertura de capital. Essa seleção deve ser feita levando em consideração a reputação, a experiência e o alinhamento da corretora ou do banco de investimentos ao perfil da organização.

Due diligence e registros regulatórios

Toda a documentação financeira da empresa, bem como os estatutos e regimes internos, precisam passar pelo processo de due diligence, que é uma auditoria externa mais aprofundada e detalhada. O objetivo é fazer uma busca completa para entender se a companhia cumpre regras de compliance e apontar possíveis inconsistências que devem ser corrigidas antes da abertura, conferindo credibilidade antes do IPO.

Todas essas informações também devem estar de acordo com as normas e leis das Secretarias da Fazenda ou outros órgãos regulamentadores do país em que o IPO será realizado, para que eles possam fazer a aprovação da abertura de capital.

Definição de preços

Os preços pelos quais as ações serão ofertadas no mercado precisam ser definidas nesta etapa, com base em alguns fatores, como:

  • o retorno de mercado que a empresa teve ao divulgar a intenção de abertura de capital;
  • a economia do país;
  • o valor de mercado da organização.

Divulgação do prospecto

O prospecto é a documentação que reúne todas as informações da empresa, incluindo os resultados operacionais de, pelo menos, os três últimos anos de exercício. Com isso, os futuros acionistas podem entender mais sobre a situação da organização e decidirem se desejam investir.

Início do processo

Após a divulgação do prospecto e do período de distribuição, o processo de IPO tem início na data estabelecida pelos órgãos fiscalizadores, bem como pela Bolsa de Valores em que as ações serão negociadas.

Por que tantas empresas de tecnologia têm feito IPO?

Assuntos referentes à transformação digital e inovação estão em alta, pois as novas tecnologias e os negócios disruptivos que surgiram no mercado têm atendido a demandas importantes de pessoas e empresas, como a praticidade, rapidez e redução de custos. Ferramentas digitais que simplificam a vida dos consumidores geram boas receitas e, consequentemente, atraem a atenção de diversos investidores.

Para fazer um IPO, é preciso aproveitar as aberturas dadas pelo mercado, e as empresas de tecnologia têm feito isso com maestria — quem acompanha os noticiários e newsletters sobre tecnologia e novos negócios provavelmente se depara, quase que diariamente, com notícias desse tema. Fornecedores de softwares, como a DocuSign e a Avast, foram alguns exemplos que, em 2018, conseguiram fazer a abertura de capital.

Qual é a relação com a estabilidade econômica?

Melhorias no cenário econômico de um país são responsáveis pelo aumento da confiabilidade de empresários ao redor de todo o mundo. Um contexto de estabilidade permite que investidores tenham mais segurança em tomar riscos e fazer novas apostas, principalmente no mercado de ações.

Um exemplo do quanto a estabilidade econômica pode ser crucial para um IPO é o caso da TOTVS. A primeira tentativa de abertura de capital seria realizada entre 2001 e 2002, com o mercado já se mostrando interessado nas ações da empresa. Porém, com o ataque terrorista de 11 de setembro, todo o cenário mudou: ninguém sabia como seriam os próximos anos, seja politicamente, seja economicamente.

Junto com a sua equipe, Laércio Cosentino, CEO da TOTVS, decidiu recuar e aguardar um momento que pudesse ser mais favorável para a empresa. Em 2006, quando o cenário já se mostrava menos instável, o negócio brasileiro abriu-se para o mercado, e o seu IPO é considerado um dos mais bem-sucedidos da história da Bolsa de Valores no Brasil.

Quais são os cases recentes de IPOs?

Uma das aberturas de capital mais aguardadas pelo mercado aconteceu em 2019: a Uber, empresa fornecedora de aplicativo para transportes privados, estreou com um valor de U$75,5 milhões. O grande problema é que o retorno para o negócio não foi muito favorável e perdas bilionárias têm sido registradas.

Na contramão, uma organização brasileira tem mostrado excelentes números pós-IPO. O Banco Inter, que abriu o seu capital em 2018, captou mais de R$700 milhões e, um ano depois, está registrando uma valorização do negócio de surpreendentes 246%, inclusive recebendo ainda mais clientes.

Fazer um IPO é, de fato, desafiador, pois o mercado financeiro conta com muitas complexidades e o resultado pode ir contra o que era planejado. Porém, quando uma empresa deseja crescer e atingir novos públicos, essa pode ser uma das melhores opções. É preciso considerar que o planejamento e a cautela são fundamentais para que a abertura de capital esteja mais próxima do sucesso.

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